“A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão. Frágil — você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal, de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos, começa a passar." — Caio Fernando Abreu.
- Me anima, tô triste!
- Como?
- Sei lá, que tal você dançar macarena, com uma cueca escrito “eu amo restart”, um biquíni de hula, coberto de nutella e uma cereja na cabeça?
- (risos) Não, melhor não… Você não iria resistir minha barriga magrela e sarada.
- Nossa… Não mesmo! (risos)
- Que tal de outra forma?
- Qual?
- Eu atravessar a cidade, apertar a sua campainha, você ir me atender com cara de emburrada, a gente subir para o seu quarto, colocar “esposa de mentirinha”, pegar chocolate e coca, deitarmos, assistirmos metade do filme, depois perdêssemos todo o rumo dele por eu te sujar de chocolate, eu limparia tudo com a linguá, depois eu tiraria sua roupa, brincaríamos um pouco, tomaríamos um banho e enfim dormiríamos?
- (risos) Idiota!
- E então…?
- Eu topo!
- Prepara tudo que eu to indo para ai!
“Mas se você me esqueceu, superarei. Fingirei que não aflige, fingirei que não sinto falta. É uma questão de saber fingir bem. E se quiser voltar, volte. Ainda estarei esperando. Sou boba demais por achar que nós ainda não tivemos um final? Porque é verdade, ainda há muito de você em mim, e vice-versa. De repente me pergunto, aonde foram parar as brigas? Os ciúmes? Os beijos? Os momentos em vão que passávamos, um completando o outro? (…) Cadê a gente, meu amor? Aonde será que estávamos com a cabeça, quando pensamos que não seria tão… eterno? Ainda vai ser. Eu ainda faço ser, na verdade. É só voltar, tá? Volta pra mim. Eu te preciso. Te preciso para fundar eu mesma. Se um dia te magoei… deve ser essa minha mania de ser errada. Não foi por mal. A regra ainda é aquela: você se machuca, eu me machuco mais ainda. (…) O tempo tá passando. Os tic tacs do relógio estão perturbando minha cabeça. Minhas ilusões estão me matando por dentro; mas sei que por você vale à pena morrer. É amor, acho que nós não temos mesmo jeito. Você está tão distante de mim. Se for voltar, se for aparecer aqui. vai demorar muito, não vai? Como eu queria que não fosse assim. Mas não se preocupa, meu amor. As nossas memórias sempre permanecerão em mim.“ (ind0mavel)